A Hungria é um país com mais de 1.100 anos de história. Sua
origem, como nação, aconteceu no ano 896 da era cristã, com a
chegada das tribos pagãs dos magiares (daí o nome Magyasr, que
também identifica o país internacionalmente) que migraram da Ásia
para a chamada Bacia dos Cárpatos. Esta região já era habitada por
outros povos, e os ciganos e magiares se juntaram a eles - o que
resultou numa fusão de culturas entre os recém-chegados e aqueles
que os receberam.
Foram sete tribos invasoras, com seus integrantes montados a
cavalo - e sua imagem está reproduzida na Coluna do Milênio, com
36m de altura, no centro da Praça dos Heróis, ao final da Av.
Andrassy (lado Pest). Os ciganos magiares trouxeram com eles seus
costumes, sua audácia, seu espírito guerreiro - e também uma rica
tradição musical, danças folclóricas e pratos de seus ancestrais.
Assim se fez a Hungria.
De fato, a Hungria é um
caldeirão de raças, a partir da chegada desses grupos zíngaros
(ciganos, ou gitanos ). Já tinha entre seus habitantes muitos
outros colonos, além de artistas, monges e instrutores que, mais
tarde, vieram dos países vizinhos, e até de terras mais distantes,
para se fixar no reino da Hungria.
O país tem uma rica história, que vale a pena ser vivenciada
pelos visitantes. Budapeste é um caleidoscópio dessa diversidade
cultural, combinando arte folclórica, tradições, belas paisagens,
diversificada vida cultural e um jeito muito especial de se viver.
Na verdade, a Hungria se orgulha de "ter um povo amistoso, de
coração aberto, sempre receptivo aos visitantes".
Mas isso existe muito mais em folhetos do que na vida prática.
As décadas sob o regime comunista fizeram o povo das antigas
repúblicas do Leste Europeu (e a Hungria não é exceção) ser um
tanto desconfiado, olhando o visitante com cautela. Não que o
hostilize ou maltrate, mas o observa com certa desconfiança.
Aqui, o turismo vem
exercendo um importante papel educativo, quebrando o gelo inicial e
ganhando mais confiança dos locais. Com os milhares de visitantes
que chegam a cada ano, o povo (em geral) acaba aprendendo a ser
mais receptivo; a ter mais amabilidade no atendimento; a ter boa
vontade também, se lhe pedirem ajuda. Em resumo: ter cordialidade e
acabar com a frieza e distanciamento enraizados nesta civilização
simbolizada pelo termo Cortina de Ferro, e sintetizada no Muro de
Berlim.
Nos dois lados do Danúbio, é fácil notar as influências
culturais dos países do leste e oeste nos monumentos históricos,
nas tradições e na vida cultural da Hungria de hoje. Pode-se dizer
que a história deste país foi agitada, no mínimo. Basta lembrarmos
restos visíveis do Império Romano e os edifícios que remontam ao
período da ocupação turca, que se estendeu por 150 anos. Há
pequenas igrejas medievais, restos de muralhas, esplêndidas
basílicas, magníficos palácios e fortalezas e castelos no topo das
montanhas.
Se o lado Buda é a parte mais histórica da capital da Hungria,
concentrando o Palácio Real, o castelo e outros monumentos
nacionais, o lado Peste (Pest) é o melhor lugar para o turista
ficar, porque nele estão os principais hotéis, os grandes
magazines, as avenidas mais importantes, a Ópera Nacional, o
Mercado Central, os mais ricos monumentos e toda a diversão ao
longo desta margem esquerda do Danúbio Como o rio corre para oeste,
Buda está na margem direita.
O magnífico Danúbio divide a capital húngara em duas partes,
separando as colinas e os vales da montanhosa Buda da sempre plana
e agitada Pest. Estando em qualquer um dos lados do rio, o turista
fica encantado com o panorama fantástico das duas margens, graças à
situação geográfica excepcional da cidade. Nos passeios noturnos de
barco, o visitante fica praticamente sem saber para que lado
olhar.
Algumas pontes que atravessam o rio e diversos edifícios à sua
margem estão inscritos na lista do Patrimônio Mundial da Unesco -
começando pelo primeiro castelo de Buda, edificado no séc. XII,
para o qual a corte real se mudou em 1347. Fica bem visível o
estilo arquitetônico dos séculos seguintes. O lado Buda parece um
parque florestal, pela quantidade de árvores. Tem também mirantes e
monumentos.
Um dos museus vivos da Cidade Velha é a Colina do Castelo. Andar
por esta parte antiga - com um mínimo de trânsito - é uma
experiência muito agradável. Parece que o tempo parou. Tudo é muito
florido, quieto, silencioso. Pessoas idosas caminham pelas ruas.
São comuns as pequenas casas de chá, onde o turista experimenta as
fabulosas tortas húngaras.
Com o Budapest Card na mão, o turista pode se deslocar à vontade
pelos dois lados do rio. Algumas linhas de bondes passam por uma
das pontes, como a número 6, que é a mais moderna e de maior
capacidade (vários carros azuis interligados), unindo o lado Pest a
Buda. Estão também disponíveis para os visitantes 3 linhas
principais de metrô.
Esztergom foi a primeira capital
Que o húngaro é uma língua dificílima, isto já se sabe - mas a
grafia de certas palavras nos faz imaginar como é complicada a sua
pronúncia. Este é o caso da vila real de Székesfehérvár, onde foi
coroada e enterrada a maioria dos reis e rainhas húngaros. Os
alicerces da basílica de Santo Estêvão, o primeiro rei do país, se
encontram num jardim em ruínas, sendo também patrimônio
nacional.
Esztergom foi a primeira capital do país. No ano 972, começou a
construção do palácio real e aqui foi estabelecido e consolidado um
poderoso reino cristão. A coroação do rei aconteceu no ano 1000.
Esta cidade é o principal centro da fé cristã na Hungria. Seu museu
tem uma das mais ricas coleções de arte da nação.
Até 1347, quando a corte real se transferiu para Buda, a sede do
poder se localizava a 40 quilômetros ao norte, em Visegrád. Este é
outro marco histórico e geográfico importante na tradição húngara:
aqui as montanhas obrigam o Danúbio a virar para o sul, criando um
dos mais belos panoramas do país. Ainda existem hoje as partes do
Alto Castelo e Baixo Castelo, com exemplos da estrutura e
funcionamento de uma capital real medieval. O Parque Nacional
Duna-Ipoli foi a antiga zona de caça.
Ainda nesta pitoresca
Curva do Danúbio os turistas podem conhecer
Szentendre, um lugar nos arredores de Budapeste que se tornou
refúgio predileto de artistas e intelectuais. A antiga vila tem
sete igrejas, que merecem ser visitadas. Há também 40 museus, salas
de exposições e galerias.
A imperatriz Sissi faz parte da história húngara também, porque
tinha no Palácio Godolló uma de suas residências de férias. A
esposa do imperador Francisco José da Áustria, da dinastia dos
Habsburgos, acabou se tornando muito ligada sentimentalmente a
Budapeste e seus arredores. Não se deve esquecer a rica história do
Império Austro-Húngaro.
O dia 31 de outubro é um divisor de águas no turismo da Europa -
e na Hungria não é diferente. De 1º de abril até esta data, os
turistas contam com oferta muito maior de horários nas várias
excursões programadas por operadoras locais. Entre 1 de novembro e
31 de março, com a chegada do frio, os horários se reduzem pela
metade, quando não são cancelados por mau tempo.